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Banco de Portugal Corta Previsão de Crescimento para 1,8% em 2026

O Banco de Portugal reviu em baixa as suas projeções económicas para este ano, reduzindo a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% para 1,8% em 2026. Em simultâneo, a autoridade monetária aumentou a previsão para a inflação, que passa de 2,1% para 2,8%. O boletim económico de março, publicado esta semana, aponta o conflito no Médio Oriente como o principal fator por detrás desta revisão em baixa.

A deterioração do cenário internacional surgiu de forma abrupta. O ataque norte-americano e israelita ao Irão, no final de fevereiro, provocou uma subida acentuada nos preços da energia: o petróleo disparou para valores superiores a 100 dólares por barril a 13 de março — data de fecho do boletim —, face aos cerca de 63 dólares registados em dezembro de 2025. Esta escalada energética pressionou diretamente os preços ao consumidor e deteriorou as perspetivas de crescimento para a economia portuguesa.

Para além do choque geopolítico, o Banco de Portugal identifica outros fatores que contribuíram para a revisão em baixa: a evolução mais fraca da atividade económica no final de 2025, comparativamente ao que havia sido projetado em dezembro, e os eventos climáticos extremos no início de 2026, que afetaram vários setores produtivos. A combinação destes elementos criou um contexto de maior incerteza para as famílias e empresas portuguesas.

Apesar da revisão negativa no crescimento, o mercado de trabalho apresenta uma evolução relativamente positiva. O Banco de Portugal prevê um crescimento do emprego de 1,3% em 2026, acima dos 1,1% estimados anteriormente, e espera que a taxa de desemprego desça para 5,9%, um nível historicamente baixo para Portugal. Este desempenho do mercado laboral tem sustentado o consumo privado, continuando a ser um dos principais motores da economia nacional.

No que respeita às finanças públicas, Portugal registou um excedente orçamental de 0,7% do PIB em 2025 — equivalente a mais de dois mil milhões de euros —, resultado classificado como histórico pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento. No entanto, o governante alertou para cinco riscos significativos que podem condicionar as contas públicas em 2026: as consequências das tempestades do início do ano, o aumento dos preços da energia, a pressão sobre a despesa pública, a evolução das transferências para a Segurança Social e a menor dinâmica de crescimento económico.

Para 2026, o governo projeta um superávite de apenas 0,1% do PIB, muito abaixo do registado no ano anterior, refletindo os desafios acrescidos do ambiente externo. As projeções do Banco de Portugal apontam para uma moderação gradual da inflação: 2,3% em 2027 e 2% em 2028, à medida que os efeitos do choque energético se dissipem. Para as famílias portuguesas, este é um ano que exige cautela orçamental, ainda que a robustez do mercado de trabalho possa atenuar parte do impacto.

Cheble. T
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