HomePortugalFinançasBanco de Portugal revê crescimento para 1,8% e agrava inflação para 2,8%

Banco de Portugal revê crescimento para 1,8% e agrava inflação para 2,8%

O Banco de Portugal reviu em baixa as suas projeções de crescimento económico para este ano, antecipando uma expansão do PIB de apenas 1,8%, menos 0,5 pontos percentuais face à estimativa de 2,3% apresentada em dezembro. Em sentido contrário, a instituição agravou a previsão de inflação, que passa a situar-se nos 2,8%, acima dos 2,1% projetados há três meses. A divulgação ocorreu a 25 de março, poucos dias antes do final do primeiro trimestre.

O principal fator por detrás das revisões é o conflito geopolítico no Médio Oriente. O ataque norte-americano e israelita ao Irão, ocorrido no final de fevereiro, provocou uma escalada abrupta nos preços das matérias-primas energéticas, com repercussões imediatas na atividade económica e nos preços ao consumidor. O banco central nota que este choque “tem um impacto negativo na atividade e positivo na inflação, sobretudo em 2026”. A este cenário juntaram-se as condições climatéricas adversas que marcaram o início do ano em Portugal, com efeitos diretos na produção agrícola e em alguns setores industriais.

No que diz respeito à evolução trimestral, o Banco de Portugal aponta para um crescimento praticamente nulo — de 0% — no primeiro trimestre de 2026, seguido de uma recuperação gradual para 0,4% nos trimestres subsequentes. Este arranque de ano é o mais fraco desde a recuperação pós-pandemia e reflete, em grande parte, a incerteza gerada pela volatilidade energética.

Ainda assim, o banco central identifica fatores que continuam a sustentar a economia portuguesa. A solidez do mercado de trabalho destaca-se como um dos pilares mais importantes: a taxa de desemprego deverá fixar-se em 5,9% em 2026 e estabilizar em torno de 5,8% nos dois anos seguintes. A execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a orientação expansionista da política orçamental contribuem igualmente para atenuar o impacto dos choques externos.

No horizonte de médio prazo, as perspetivas melhoram à medida que os efeitos do choque energético se dissipam. O crescimento do PIB deverá acelerar ligeiramente para 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028, enquanto a inflação deverá abrandar para 2,3% em 2027 e convergir para a meta dos 2% em 2028. O Banco de Portugal sublinha que o cenário traçado está sujeito a incerteza elevada, sobretudo devido à imprevisibilidade da situação no Médio Oriente e aos seus efeitos nos mercados energéticos globais.

Para os portugueses, as implicações práticas são diversas. Uma inflação mais elevada traduz-se em maior pressão sobre o poder de compra das famílias, em particular nos gastos com energia, combustíveis e produtos alimentares. Quem tem crédito à habitação com taxa variável pode sentir algum alívio, dado que as projeções não apontam para subidas imediatas das taxas de juro pelo BCE. Contudo, a ausência de cortes adicionais significativos e a persistência da inflação acima dos 2% poderão manter as prestações em níveis elevados por mais tempo do que o esperado.

O quadro económico atual exige prudência tanto por parte dos consumidores como das empresas. A recuperação do crescimento dependerá, em grande medida, da estabilização geopolítica e da capacidade da economia portuguesa em diversificar fontes de energia e acelerar a transição energética.

Cheble. T
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