A Bolsa de Lisboa encerrou a última sessão de março de 2026 em terreno positivo, com o índice PSI a valorizar 2,11% e a fechar nos 9.069,55 pontos — um resultado que superou o desempenho da generalidade das praças europeias. A jornada desta segunda-feira foi marcada pelas fortes subidas do grupo EDP, da EDP Renováveis e da Sonae, num dia em que o mercado ainda digeria a notícia do excedente orçamental de Portugal em 2025, superior ao previsto pelo Governo.
Grupo EDP e Sonae em destaque na sessão de hoje
Num dia em que 14 das 16 empresas do índice PSI registaram valorizações, o grupo EDP foi o principal motor da sessão. A EDP Renováveis liderou os ganhos, com uma subida de 3,90% para os 13,60 euros por ação, seguida pela EDP, que avançou 3,45% para os 4,50 euros. O desempenho do conglomerado energético refletiu, em parte, a renovada confiança dos investidores no setor das energias renováveis, num contexto de incerteza geopolítica que continua a marcar os mercados globais.
A Sonae também se destacou positivamente, a ganhar 3,12% para os 1,92 euros. Outros títulos seguiram a mesma tendência: a REN avançou 1,76% para 3,75 euros, a NOS valorizou 1,68% para 5,45 euros e a Navigator subiu 1,64% para os 3,35 euros — um conjunto de ganhos que evidencia a amplitude e solidez da sessão de hoje na praça lisboeta.
Apenas dois títulos ficaram inalterados: a Ibersol manteve-se nos 10,80 euros e a Corticeira Amorim nos 6,43 euros. Nenhuma cotada encerrou em território negativo, o que demonstra a força generalizada dos ganhos verificados ao longo do dia.
Galp em sentido contrário noutras sessões recentes
Numa perspetiva mais alargada, vale recordar que a Galp, uma das grandes figuras do PSI, tem protagonizado sessões de volatilidade acentuada nas últimas semanas, alternando entre subidas superiores a 5% e quedas acima dos 3%. Esta instabilidade reflete a exposição da petrolífera às oscilações do preço do petróleo, num ambiente internacional onde as tensões geopolíticas continuam a condicionar as expectativas dos mercados de matérias-primas.
Superavit orçamental de 2025 anima investidores no PSI
Para além do desempenho das cotadas, a jornada de hoje beneficiou do efeito psicológico positivo dos dados divulgados na semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE): Portugal encerrou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto, o equivalente a mais de dois mil milhões de euros — o segundo maior superavit desde o início da democracia em Portugal.
Este resultado ficou muito acima das metas do Governo, que apontava para um excedente de apenas 0,3% do PIB. A solidez das contas públicas funcionou como um sinal de confiança para os investidores nacionais e internacionais, reforçando a perceção de que Portugal dispõe de uma margem fiscal considerável para enfrentar eventuais choques externos.
Ministro alerta para desafios de 2026
Apesar do resultado histórico de 2025, o Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sublinhou que 2026 apresenta desafios consideráveis, nomeadamente os custos associados às tempestades que assolaram o território nacional e a pressão crescente dos preços da energia, num contexto geopolítico ainda instável. O governante advertiu que o excedente poderá reduzir-se substancialmente ao longo do ano, apontando para uma previsão de apenas 0,1% do PIB em 2026, o que, ainda assim, manteria Portugal entre os países mais equilibrados da zona euro em termos orçamentais.
PSI destaca-se face aos mercados europeus em março
A sessão desta segunda-feira confirmou uma tendência que tem caracterizado o PSI nos últimos meses: uma capacidade de resistência e até de superação relativamente às principais praças europeias em momentos de maior apetite pelo risco. Com uma subida de 2,11%, a Bolsa de Lisboa situou-se bem acima da média dos ganhos registados nos índices de referência do continente no mesmo período.
Numa análise mais alargada, o PSI acumulou uma queda de cerca de 4,21% ao longo do mês de março, penalizado pelo clima de incerteza geopolítica e pelas revisões em baixa das previsões de crescimento económico para Portugal. O Banco de Portugal cortou a sua estimativa para 1,8% em 2026, face aos 2,3% previstos em dezembro. Ainda assim, medido numa base anual, o índice PSI mantém uma valorização expressiva de cerca de 27,78% face ao valor de há um ano.
O que esperar do segundo trimestre de 2026?
A sessão de encerramento de março deixa um sinal positivo para o arranque do segundo trimestre, mas os analistas de mercado recomendam cautela. O ambiente internacional continua a ser marcado por volatilidade, com os preços da energia a oscilar, as tensões geopolíticas a não dar sinais de resolução próxima e a política monetária do Banco Central Europeu a gerar incerteza sobre a trajetória das taxas de juro.
No plano doméstico, o foco dos investidores deverá manter-se no comportamento do grupo EDP, da Galp e do BCP, três empresas que, pelo seu peso no índice, continuam a determinar a direção do PSI em grande medida. A evolução do setor energético será, porventura, o fator mais determinante nos próximos meses, num contexto em que Portugal aposta cada vez mais nas energias renováveis como pilar da sua estratégia económica e de sustentabilidade.
Também o setor bancário merece atenção redobrada, com o BCP a recuperar posições expressivas nos mercados de capitais e o crédito habitação a mostrar sinais de estabilização após um período prolongado de pressão sobre as famílias portuguesas, fruto da subida acentuada das taxas Euribor.
Balanço: março termina em alta para o PSI, mas 2026 exige prudência
A Bolsa de Lisboa concluiu março de 2026 com uma nota positiva, sustentada por fundamentos sólidos: excedente orçamental robusto, empresas líderes em valorização e uma posição financeira do Estado mais confortável do que em vários anos anteriores. Contudo, o quadro macroeconómico global continua a lançar sombras sobre as expectativas para os trimestres seguintes.
Para o investidor português, o recado do mercado é claro: existem razões para um otimismo moderado e bem fundamentado. O PSI tem dado provas de resiliência face à volatilidade externa, mas os riscos persistem e não devem ser subestimados. A disciplina orçamental, a diversificação da carteira e o acompanhamento atento das decisões do BCE e da evolução geopolítica continuam a ser as melhores ferramentas para navegar um ambiente que, apesar de melhorado, ainda está longe de ser completamente previsível.

